Todo apoio: greve dos caminhoneiros engrossa luta dos petroleiros por direitos e soberania

Os caminhoneiros se uniram à luta dos petroleiros, que estão em greve há 17 dias, e decidiram parar nesta segunda-feira (17).

Mesmo com a decisão judicial indicando o fim da greve, com multa de R$ 200 mil por dia ao Sindicam (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos), a categoria não acatou e segue em luta por seus direitos.

Esses trabalhadores exigem, entre diversas reivindicações, a redução do preço do óleo diesel e dos demais combustíveis e o fim do PPI (Preço de Paridade de Importação).

De acordo com José Roberto, representante da Associação Nacional dos Transportadores Autônomos do Brasil, que participou na Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, está prevista uma manifestação na Marginal Tietê na quarta-feira (19),

“Iniciamos uma luta desde a nossa paralisação em 2018 em prol do nosso sócio majoritário que é o óleo Diesel e que isso afeta a vida de todo o brasileiro, o combustível, direta ou indiretamente, acaba afetando a todos. Nessa luta chegamos ao preço de paridade de importação, que infelizmente a maioria do povo não sabe, nós pagamos o nosso petróleo mesmo sendo auto-suficiente, existe um sistema que não quer que o Brasil seja competitivo, não quer que o Brasil tenha uma energia barata, porque se baratear o país se torna de primeiro mundo”, explicou.

A paralisação foi iniciada no Porto de Santos e deve se estender por todo o país.

Greve dos petroleiros segue forte e já afeta produção

Com a unidade dos caminheiros, os petroleiros tem uma categoria estratégica para somar forças e conseguir o atendimento de suas reivindicações. Com a produção parada e transporte também, a luta tende a abalar as estruturas dos poderosos, que tem feito de tudo para boicotar o movimento, que segue muito forte.

Esses trabalhadores estão em luta pela redução do gás de cozinha, contra a privatização da empresa, por uma Petrobrás 100% estatal.

Nesta segunda-feira (17), a greve nacional dos petroleiros chega no seu 17º dia de paralisação. Já são 119 unidades em greve, entre elas plataformas, terminais e todo o parque de refino da empresa.

Agora, a greve começa a impactar a produção. Informações apuradas pelo Sindipetro Litoral Paulista, neste sábado (15), confirmam a paralisação das áreas de Recuperação de Aromáticos (URA) e de destilação atmosférica (UV). Nos dois casos, o impacto para a companhia é significativo.

Com a unidade UV parada, a empresa deixa de refinar 4 mil m³ de petróleo por dia, o equivalente a 25 mil barris diários. Na URA deixarão de ser produzidos mais de 900 m³ de produtos como benzeno, tolueno, xileno e hexano.

E a greve avança a cada dia. Na noite deste domingo (16), por exemplo, trabalhadores desembarcaram no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes (foto acima), em Manaus, e promoverem um ato de repúdio às decisões tomadas pela Petrobrás. Sob gritos de “não estamos à venda” e “defender a Petrobrás é defender o Brasil”, os grevistas criticaram a postura do governo brasileiro sobre a privatização da Petrobrás. Nas termelétricas Jaraqui e Tambaqui, que tem seu processo de privatização em curso, mais de 90% da categoria está parada desde quinta-feira (13/02).

A greve dos petroleiros já ultrapassou a categoria e cresce diariamente em apoio da sociedade, com movimentos solidários e de luta por todo o país e pelo mundo.

Na terça-feira (18), uma grande marcha nacional em defesa do emprego, da Petrobrás e do Brasil será realizada no Rio de Janeiro, com a participação de caravanas de trabalhadores de vários estados. A concentração será a partir das 16h, em frente à sede da Petrobrás, Edise.

Quadro nacional da greve – 17/02

58 plataformas

11 refinarias

24 terminais

7 campos terrestres

7 termelétricas

3 UTGs

1 usina de biocombustível

1 fábrica de fertilizantes

1 fábrica de lubrificantes

1 usina de processamento de xisto

2 unidades industriais

3 bases administrativas

A greve em cada estado

Amazonas

Termelétrica de Jaraqui

Termelétrica de Tambaqui

Terminal de Coari (TACoari)

Refinaria de Manaus (Reman)

Ceará

Plataformas – 09

Terminal de Mucuripe

Temelétrica TermoCeará

Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor)

Rio Grande do Norte

Plataformas – PUB-2 e PUB-3

Ativo Industrial de Guamaré (AIG)

Base 34 e Alto do Rodrigues – mobilizações parciais

Pernambuco

Refinaria Abreu e Lima (Rnest)

Terminal Aquaviário de Suape

Bahia

Terminal de Camaçari

Terminal de Candeias

Terminal de Catu

UO-BA – 07 áreas de produção terrestre

Refinaria Landulpho Alves (Rlam)

Terminal Madre de Deus

Usina de Biocombustíveis de Candeias (PBIO)

Espírito Santo

Plataformas: FPSO-57 e FPSO-58

Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR)

Terminal Aquaviário de Vitória (TEVIT)

Unidade de tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC)

Sede administrativa da Base 61

Minas Gerais

Termelétrica de Ibirité (UTE-Ibirité)

Refinaria Gabriel Passos (Regap)

Rio de Janeiro

Plataformas – PNA1, PPM1, PNA2, PCE1, PGP1, PCH1, PCH2, P07, P08, P09, P12, P15, P18, P19, P20, P25, P26, P31, P32, P33, P35, P37, P40, P43, P47, P48, P50, P51, P52, P53, P54, P55, P56, P61, P62, P63, P74, P76, P77

Terminal de Cabiúnas, em Macaé (UTGCAB)

Terminal de Campos Elíseos (Tecam)

Termelétrica Governador Leonel Brizola (UTE-GLB)

Refinaria Duque de Caxias (Reduc)

Terminal Aquaviário da Bahia da Guanabara (TABG)

Terminal da Bahia de Ilha Grande (TEBIG)

Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)

São Paulo

Terminal de São Caetano do Sul

Terminal de Guararema

Terminal de Barueri

Refinaria de Paulínia (Replan)

Refinaria de Capuava, em Mauá (Recap)

Refinaria Henrique Lages, em São José dos Campos (Revap)

Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (RPBC)

Plataformas (04) – Mexilhão, P66, P67, P68 e P69

Terminal de Alemoa

Terminal de São Sebastiao

Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA)

Termelétria Cubatão (UTE Euzébio Rocha)

Torre Valongo – base administrativa da Petrobras em Santos

Terminal de Pilões

Mato Grosso do Sul

Termelétrica de Três Lagoas (UTE Luiz Carlos Prestes)

Paraná

Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar)

Unidade de Industrialização do Xisto (SIX)

Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FafenPR/Ansa)

Terminal de Paranaguá (Tepar)

Santa Catarina

Terminal de Biguaçu (TEGUAÇU)

Terminal Terrestre de Itajaí (TEJAÍ)

Terminal de Guaramirim (Temirim)

Terminal de São Francisco do Sul (Tefran)

Base administrativa de Joinville (Ediville)

Rio Grande do Sul

Refinaria Alberto Pasqualini (Refap)

Apoio

A CSP-Conlutas está junto com esses trabalhadores que lutam por direitos. Vamos unificar as lutas com petroleiros e fortalecer esse importante movimento, rumo à greve geral.

Fonte: CSP-Conlutas, com informações da FNP

 

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